PROJETO ARIRANHA

O Projeto Ariranha surgiu a partir de relatos de que ariranhas (Pteronura brasiliensis) estavam sendo avistadas no reservatório da usina hidrelétrica de Balbina (UHE Balbina) 15 anos após a formação do lago. Em setembro de 2001 foi realizada a  primeira excursão ao lago de Balbina  para confirmar essa informação. Desde então o Projeto Ariranha tem realizado excursões bimestrais à área com intuito de aprender mais sobre esse animal que é endêmico a América do Sul e encontra-se ameaçado de extinção. O principal objetivo é avaliar o potencial de uso de áreas alteradas pela ação humana, mais especificamente áreas de represas, pela ariranha, comparando eventuais alterações na biologia da espécie quanto aos hábitos alimentares, organização social e sazonalidade reprodutiva. As  margens do lago e as encostas de algumas das 3.000 ilhas do reservatório são percorridas a procura de vestígios deixados pelas ariranhas (tocas, latrinas comunitárias e paragens).

As tocas onde as ariranhas dormem são classificadas como “em uso”, ou “não em uso”, de acordo com a presença ou ausência de marcas recentes de patas, umidade e limpeza da área ao redor da entrada. Quando os animais são observados, estes são contados e, na medida do possível, fotografados e/ou filmados, e identificados de acordo com a mancha pardo-amarelada presente na região da garganta e pescoço, típica desta espécie. O número de indivíduos presentes por grupo é contado, e quando possível, os animais são seguidos para observar seu comportamento social, alimentar, reprodutivo e de defesa de território. As ariranhas depositam suas fezes em latrinas comunitárias que exalam um forte cheiro característico. Esse odor característico facilita o nosso trabalho para localizar essas latrinas. Amostras de fezes coletadas nas latrinas comunitárias são lavadas e triadas no laboratório para uma posterior identificação da dieta das ariranhas no lago de Balbina.  

Além dos hábitos alimentares, o projeto também pretende identificar a época da reprodução das ariranhas, a hierarquia dentro dos grupos, e o uso de habitat pela espécie no reservatório.Trata-se de um projeto de longo prazo que visa entender melhor a biologia e ecologia desse  mamífero aquático ameaçado de extinção.

Apoio Financeiro: Philadelphia Zoo e Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (FAPEAM). Apoio Logístico: ReBio Uatumã/IBAMA e Manaus Energia S.A.